Minas Gerais é o terceiro estado em roubo de cargas no País

Crime, que afeta principalmente o setor de medicamentos, provocou prejuízo de R$ 218 milhões no Estado em 2016.

Por Admin 13/09/2017 - 08:34 hs
Foto: Guilherme Bergamini/ Ascom ALMG
Minas Gerais é o terceiro estado em roubo de cargas no País
Deputados da Comissão de Segurança Pública ouviram depoimentos de representantes de transportadoras e distribuidoras. Foto: Guilherme Bergamini/Ascom ALMG

O diretor técnico da Federação das Empresas de Transporte de Cargas (Fetcemg), Luciano Medrado, afirmou, aos deputados da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que o Estado é o terceiro em casos de furto e roubo de cargas, o que representa 10% das incidências desse crime em todo o País.

Os dados foram divulgados em audiência pública nesta terça-feira (12/9/17), a pedido do presidente da comissão, deputado Sargento Rodrigues (PDT), e do deputado Felipe Attiê (PTB).


Medrado salientou que o problema é grave e não vem recebendo a devida atenção. A Polícia Militar, segundo ele, passou a tratar de roubo de cargas em 2016, por meio do Programa Carga Segura. "Medicamento é o terceiro item mais roubado. No ano passado, foram R$ 218 milhões em cargas roubadas no Estado", completou.

Ele explicou ainda que a federação tem um departamento especializado em segurança patrimonial, com o objetivo de promover a integração entre as forças de segurança, além de gerar um banco de dados de ocorrências. “De janeiro a agosto deste ano, foram 31 casos em Minas. O número, no entanto, não tem base científica porque as polícias têm dificuldade em efetuar o registro real”, lamentou.

| Legislação branda

Medrado alertou que a Polícia Civil não consegue manter os ladrões de cargas presos, já que o crime é considerado brando. Ele relatou, por exemplo, que uma mesma pessoa foi presa seis vezes somente no ano passado. “É preciso dar prioridade ao tema, além da integração das polícias e da sensibilização da sociedade”, pediu.

O assessor de Segurança da Fetcemg, Ivanildo Santos, disse que até 15% da receita das empresas é direcionado à segurança e que, por muito se falar no Rio de Janeiro como local de maior incidência, as quadrilhas estariam migrando para Minas Gerais e Espírito Santo.

A gestora de Risco Corporativo da Profarma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos, Byanca Faria Lima, reforçou que o prejuízo é maior em Minas, apesar do número de casos ser maior no Rio. “Somente neste ano, são 12 casos. Apesar de todo o investimento em tecnologia, as quadrilhas parecem estar um passo à frente”, lamentou.

| Roubos elevam custos com seguro das cargas

O proprietário da 3G Log Transportes, Luiz Antônio Rosa, afirmou que a categoria está com medo e pode ser obrigada a paralisar o trabalho. De acordo com ele, nos últimos oito meses, a empresa foi assaltada 17 vezes e ninguém foi preso. O diretor executivo da mesma empresa, Edson Zanata, explicou que os custos estão ficando mais altos, já que as seguradoras dificultam a liberação das apólices de seguro.

A coordenadora administrativa da DNG Transportes, Bruna Vieira do Nascimento, relatou que os roubos geraram mais R$ 100 mil de prejuízo para a empresa desde janeiro deste ano, em 11 casos registrados. “As seguradoras exigem cada vez mais. Há investimento em tecnologia de segurança, mas não temos apoio do poder público”, lamentou.

| Polícia Civil reconhece que estrutura está defasada

O titular da 2ª Delegacia Especializada de Repressão às Organizações Criminosas, Gustavo de Almeida, reconheceu que o problema é grave e que os quadros da Polícia Civil estão defasados.

Segundo Almeida, até 2015, a delegacia contava com dois delegados e 16 investigadores. Hoje, não há nenhum delegado titular e são apenas 11 investigadores. Ele também defendeu uma legislação mais rigorosa para esse tipo de crime.

O subinspetor de Polícia Wanderson Silva destacou a realização de ações de prevenção e repressão. “Isso já promoveu uma redução de 45% dos roubos entre julho de 2016 e o mesmo mês deste ano. Em números absolutos, ano passado foram registrados 1.521 furtos e roubos e, neste ano, até julho, foram 852.

| Parlamentares lamentam ausência da Polícia Militar

O deputado Sargento Rodrigues concordou que a situação é grave, uma vez que as empresas sofrem prejuízos, os profissionais de transporte de cargas correm riscos e a sociedade paga a conta.

"A Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) mais uma vez estão ausentes no debate. Temos que tratar com eles a questão do roubo de cargas, assim como da subnotificação dos crimes, que estaria mascarando os números da violência no Estado", criticou. O deputado Antonio Carlos Arantes (PSDB) lamentou que os números estejam conflitantes, pois considera a situação pior do que se fala.

Os deputados Cabo Júlio (PMDB) e João Leite (PSDB) destacaram, também, que as transportadoras ainda encontram dificuldade com seguradoras e que o desafio é a falta de efetivo policial. Mais que isso, alertaram que o roubo de cargas gera queda no PIB e na arrecadação de impostos.

O deputado Felipe Attiê relatou que o segmento está em desespero, pois enfrenta quadrilhas especializadas. “O número de incidentes é alto e a categoria já ameaçou parar. Para piorar, as seguradoras estão resistentes em atender as empresas do setor, o que impacta diretamente o preço dos remédios para o consumidor”, disse.

| Requerimentos

Ao final, foram aprovadas solicitações de audiências públicas e visitas sobre temas diversos. O deputado Arlen Santiago (PTB) quer reunião sobre o programa Leite pela Vida. O deputado Sargento Rodrigues pediu visita à Superintendência Regional da PRF para cobrar empenho na participação em audiências da comissão; audiência sobre suposto abuso de autoridade cometido por policial militar; e visita ao Centro Socioeducativo de Governador Valadares (Vale do Rio Doce) para verificar as instalações do local e apurar denúncias.